A CGD está na berlinda ... anunciam-se comissões de inquérito e auditorias, atrasa-se irresponsavelmente a nomeação de nova administração, deturpam-se as palavras já de si infelizes do Ministro a referir um desvio de 3 mil milhões no volume de negócios da CGD, mas não se vê quem faça uma análise serena, tranquila, das contas e da evolução da actividade da CGD nos últimos anos, o que poderia explicar a situação actual e evitar a polémica e o fogo partidário cruzado.
Disso é que a CGD - como qualquer outro banco - não precisa!!!
Procurarei seguir esse caminho, na forma sintética que um artigo deste tipo possibilita. É possível avaliar, a partir dos Relatórios e Contas, a evolução da CGD individualmente (deixando de fora a análise do Grupo CGD), para tentar compreender e distinguir aquilo que é estrutural e alheio à gestão da CGD e o que é/foi a margem de manobra da administração - esta distinção parece fundamental para ajudar a centrar o debate político no ângulo próprio e para abrir caminho para as soluções de política e de "governação" da CGD mais adequadas à "empresa e à conjuntura.
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Em primeiro lugar, a degradação das contas verificada nos últimos anos tem uma explicação que no essencial é exterior à qualidade da gestão, porque resulta sobretudo do prolongado ciclo económico recessivo e da evolução desfavorável das características dominantes do negócio bancário durante esse período.
De facto, o volume de negócios da CGD (entendida individualmente e não enquanto Grupo CGD) tem tido a evolução decrescente que se ilustra (em milhões de euros):
| 2008 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | |
| Crédito a Clientes | 64007 | 64002 | 59557 | 55201 | 53179 |
| Proveitos Totais | 9012 | 5825 | 3698 | 3355 | 3602 |
| Juros Recebidos | 8052 | 4811 | 2994 | 2694 | 2241 |
Em sete anos, o volume de crédito concedido a clientes caiu 17% e os Proveitos são em 2015 40% do valor verificado em 2008.
Em particular, os juros recebidos em consequência da actividade principal de concessão de crédito não chegam em 2015 a 30% do valor registado em 2008. Para tal, contribuiu também a queda acentuada da taxa de juro média implícita no crédito concedido, que baixou de 12,6% em 2008 para 4,2% em 2015.
Nesta realidade, pouco poderiam fazer as sucessivas administrações da CGD durante esse período.
Fruto dessa queda na concessão de crédito e da redução dos juros recebidos, a estrutura de Proveitos da CGD alterou-se significativamente, com os juros recebidos a caírem de 89,3% do total dos Proveitos em 2008 para 62,2% em 2015.
Bastam estes indicadores para sinalizar a alteração profundíssima verificada na evolução e nas características do negócio bancário, com influência obvia nos resultados finais da exploração.
Ao mesmo tempo e por outro lado, os Custos de funcionamento têm uma rigidez superior, sendo difícil assegurar uma evolução paralela à queda dos Proveitos, como se pode ver no Gráfico seguinte, o que contribuiu para agravar as consequências negativas resultantes da trajectória desfavorável da economia.
De facto, durante esse período, enquanto os Proveitos evidenciaram a queda já assinalada de cerca de 40%, os custos de funcionamento com "fornecimentos e serviços externos" reduziram 17% e os custos com "pessoal" apenas 6%, contribuindo para agudizar a crise de resultados da CGD que acumulou cerca de 2,1 mil milhões de euros no quadriénio 2012-2015:
1998 2012 2013 2014 2015
(Prejuízos) / Lucros (milhões de euros) 484 (394) (576) (1139) 12
Dado a reter que e não abona as sucessivas administrações da CGD é a evolução comparada dos encargos com pessoal e do números de trabalhadores efectivos, com particular realce para o ano de 2015, em que a redução homóloga de cerca de 5% do número de trabalhadores (menos 448 efectivos do que em 2014) não impediu o agravamento desses custos em 15%, porventura em razão dos montantes indemnizatórios praticados com essa redução do quadro de pessoal.
Portanto, à queda brutal da actividade económica, a provocar uma redução igualmente forte dos Proveitos, juntou-se uma gestão que não foi capaz de acelerar a necessária redução dos custos operacionais, que sempre manifestam uma elevada rigidez estrutural, no caso agravada pela natureza pública da CGD.
Em consequência, a estrutura de custos registou uma progressiva degradação do seu equilíbrio desejável, com os custos de pessoal e com fornecimentos e serviços externos a assumirem um peso crescente nos Proveitos, facto que deveria ter sido possível traduzir em adequadas políticas internas de redução de custos, em compensação da forte queda dos proveitos.
Bastam estes indicadores para sinalizar a alteração profundíssima verificada na evolução e nas características do negócio bancário, com influência obvia nos resultados finais da exploração.
Ao mesmo tempo e por outro lado, os Custos de funcionamento têm uma rigidez superior, sendo difícil assegurar uma evolução paralela à queda dos Proveitos, como se pode ver no Gráfico seguinte, o que contribuiu para agravar as consequências negativas resultantes da trajectória desfavorável da economia.
De facto, durante esse período, enquanto os Proveitos evidenciaram a queda já assinalada de cerca de 40%, os custos de funcionamento com "fornecimentos e serviços externos" reduziram 17% e os custos com "pessoal" apenas 6%, contribuindo para agudizar a crise de resultados da CGD que acumulou cerca de 2,1 mil milhões de euros no quadriénio 2012-2015:
1998 2012 2013 2014 2015
(Prejuízos) / Lucros (milhões de euros) 484 (394) (576) (1139) 12
Dado a reter que e não abona as sucessivas administrações da CGD é a evolução comparada dos encargos com pessoal e do números de trabalhadores efectivos, com particular realce para o ano de 2015, em que a redução homóloga de cerca de 5% do número de trabalhadores (menos 448 efectivos do que em 2014) não impediu o agravamento desses custos em 15%, porventura em razão dos montantes indemnizatórios praticados com essa redução do quadro de pessoal.
Portanto, à queda brutal da actividade económica, a provocar uma redução igualmente forte dos Proveitos, juntou-se uma gestão que não foi capaz de acelerar a necessária redução dos custos operacionais, que sempre manifestam uma elevada rigidez estrutural, no caso agravada pela natureza pública da CGD.
Em consequência, a estrutura de custos registou uma progressiva degradação do seu equilíbrio desejável, com os custos de pessoal e com fornecimentos e serviços externos a assumirem um peso crescente nos Proveitos, facto que deveria ter sido possível traduzir em adequadas políticas internas de redução de custos, em compensação da forte queda dos proveitos.
Aspecto importante a analisar prende-se com a avaliação comparada do crédito e dos depósitos, sobretudo quando se olha para afirmações publicamente repetidas de que a CGD necessita de ser fortemente capitalizada (com números que vão dos 2 aos 5 mil milhões de euros), ao mesmo tempo que se repetem as orientações da Troika de que é necessário reduzir o ratio "crédito/depósitos" praticado na banca portuguesa.
Porém, a evolução que se obtém com a observação do Balanço da CGD não coincide nem confirma essas teses e essas orientações.
De facto, a CGD não tem acusado problemas de liquidez nem de solvabilidade (que se mantém em níveis, entre 11% a 13% e que vem cumprindo com as directivas de Basileia) e desde 2008 que revela ratios de conversão de depósitos em capital que se podem considerar bastante cómodos - pelo contrário, poderíamos ser levados a acusar a CGD e as suas administrações de não colocarem os recursos disponíveis ao serviço do fomento da economia nacional, se não se conhecesse uma razão plausível de explicação que é a queda também brutal do investimento nacional na última década.
Tão pouco tem situações de "crédito mal parado" tão graves como as de outros bancos, com o rácio "crédito vencido sobre crédito total" a passar de 2,4% em 2008 para 7,7% e 7,6% , respectivamente, em 2014 e em 2015, ao mesmo tempo que o volume de imparidades atingia cerca de 5,2 mil milhões de euros nestes dois últimos anos, contra 610 mil euros em 2008.
O problema maior parece estar justamente na evolução das imparidades e na sua comparação com os níveis de capitais próprios, cabendo aqui, sim, a avaliação e auditoria à qualidade das decisões tomadas na concessão de crédito e na obtenção das respectivas garantias:
2008 2014 2015
Imparidades (em milhares de euros) 610 5 230 5 198
Capitais Próprios (em milhares de euros) 4 590 3 777 3 807
Em resumo, a difícil situação actual da CGD é o resultado, sobretudo e ao mesmo tempo, da crise económica e financeira do após 2007/2008 e da insuficiência do accionista de realizar atempados aumentos de capital durante esse período crítico.
Não sendo desprezíveis os impactos negativos, no balanço e nas contas de exploração, resultantes da insuficiência de gestão no plano do controlo dos custos operacionais (que, particularmente ao nível do pessoal, poderão ter contribuído para manter a paz social dentro do banco) ou na execução de uma política comercialmente agressiva de captação de crédito (saliente-se de novo que a carteira de créditos a clientes caiu 11 mil milhões de euros, cerca de 17%, entre 2008 e 2015) serão sobretudo aquelas razões que estão na origem da difícil situação actual da CGD.
Mas não se vislumbra facilmente que sejam necessários mais 4 ou 5 mil milhões de euros de novo esforço do Estado, leia-se, dos contribuintes, a somar aos 900 milhões já realizados há poucos anos atrás, como vem sendo atirado para a opinião pública.
Nesta matéria exige-se rigor, para não repercutir (uma vez mais) sobre os contribuintes mais do que for realmente necessário. Que a CGD tem de ser capitalizada, todo o país concorda. Mas exige-se que o esforço que se venha a impor de novo ao universo dos contribuintes, já tão castigados por um Estado gastador e com baixa performance, não vá para além do estritamente necessário. E isso deve ser determinado com um rigor e uma independência que deve estar para além da disputa política e/ou partidária e ser sujeito e explicado, com transparência e suficientemente detalhe, ao crivo do Parlamento e da opinião pública.


